Amarração na Umbanda

Vou começar esse texto falando do quanto me sinto incomodado e perplexo com a quantidade absurda de e-mail’s que recebo todos os dias com o assunto: “Amarração Amorosa”.

Aliás, fico mais perplexo ainda com a quantidade de anúncios de pessoas, se dizendo Umbandistas, que oferecem o tal trabalho de amarração.

Mas o que seria a tal amarração amorosa?

Quais os benefícios que ela pode trazer a quem pede uma?

A amarração funciona?

Vamos lá…

A amarração amorosa é algo que algumas pessoas dizem fazer para outras ficarem “apaixonadas”, ficarem “debaixo de seus pés”. É dito que se prende o espírito da pessoa desejada ao espírito da pessoa que deseja, para que assim possam ter um relacionamento amoroso eterno, feliz e cheio de cumplicidade.

Mas para quem busca uma amarração dessa forma, sinto muito dizer-lhes que isso não existe dentro da Umbanda. Só frisando que estamos falando de Umbanda, a Umbanda que é religião, a Umbanda que busca fazer a caridade, a Umbanda de Zambi, Oxalá, dos Orixás e Entidades de Luz.

A Umbanda prega e respeita o livre arbítrio das pessoas. Não cobra, não força, não induz ninguém a fazer ou caminhar por caminhos indesejáveis ou que vão contra a vontade de quem quer que seja.
Se a dita amarração é uma indução forçosa a alguém entregar sua alma e seu coração a outra, que por início não era de sua livre e espontânea vontade, então não faz parte da religião de Umbanda.

Sabendo-se que a Umbanda é uma Religião de Luz, de amor e caridade, inteiramente ligada a Deus, nosso Pai Maior, quer dizer que a amarração não faz ´parte dos preceitos de Deus, não fazendo parte dos preceitos de Deus, quer dizer que é o contrário do que chamamos de “fazer o bem”, portanto se é assim, a amarração amorosa, se caso existir alguma, é algo que estará fazendo o mal a pessoa na qual foi pedida para amarrar, se está fazendo o mal, como podemos chamar o sentimento da pessoa que pediu de “amor”?

Isso não é amor, não é carinho, não é paixão. É simplesmente um desejo de ter algo que não conquistou, um egoísmo sem limites, uma prepotência desumana e uma falta de amor próprio de grandes proporções.

Muitas vezes vemos uma pregação errônea de pessoas se dizendo serem ligadas a Umbanda, tentando induzir ou demonstrar que a amarração seja um sinônimo da religião. Essas pessoas colocam nomes de Entidades divinas de Luz em seus preceitos falsos e manipuladores para dar mais ênfase a suas mentirosas “magias de amarrações amorosas”.

É muito constante vermos os nomes de Entidades como Senhor Tranca Ruas ou a Pombo Gira Maria Padilha nessas colocações. Vemos falsas orações, vemos pedidos de trabalhos, entregas disso e daquilo, numa proporção grandiosa, sem limites, sem noção, sem nexo, e claro, sem a menor eficácia.

Friso que de forma nenhuma uma Entidade de Luz, seja ela um Preto Velho, um Caboclo, um Boiadeiro, um Erê, um Malandro, um Cigano, e muito menos um Exú e uma Pombo Gira iriam entregar a sua evolução, o
seu trabalho de caridade, o seu precioso tempo quebrando a regra da Umbanda, que é a de respeitar uma das coisas mais sagradas da Religião, que é o livre arbítrio das pessoas.

Portanto quando se é usado os nomes dessas Entidades nesses rituais sem cabimento e falsos, isso vem do ser humano, tanto vem do consulente, que está em desespero por ter  “perdido” uma pessoa que a sua prepotência insiste a dizer que é seu, ou vem de falsos espíritas e falsos Umbandistas que se utilizam desses artefatos e desses desesperos de ego dos consulentes para que assim os façam pagar grandes quantias em dinheiro, mesmo sabendo que de nada vai adiantar tal ação.

A palavra é “Amor Próprio”, vamos ser coerentes, se uma pessoa decidiu que ficar a seu lado como um companheiro não lhe traz felicidade, segurança, um caminho de luz, paz e amor, então porque tentar forçar?

Realmente é uma falta de amor próprio sem compreensão. Pois essas ditas amarrações nada vão adiantar no que podemos entender de relacionamentos, quanto mais se tenta fazer uma amarração, mais distante a pessoa em questão vai ficar de quem buscou esses artifícios.

Toda essa propaganda que infelizmente vemos em todos os cantos, com promessas de trazer seu amor em 7 ou 3 dias, de fazer seu amor voltar, de fazer sua paixão ficar a seus pés, entre todas as falácias que são ditas para enganar os consulentes, não existem dentro da Umbanda.

Exús e Pombo Giras não são adeptos a esses tipos de rituais. Os nomes dessas Entidades de Luz são usados sem o menor respeito para induzir aos consulentes com falta de amor próprio a entrar num caminho sem volta, com altos gastos em dinheiro e sem resultado algum, aliás apenas com resultados para os que prometeram fazer a tal amarração, o resultado de aumentarem seus ganhos econômicos com a inocência de consulentes de baixa alta estima.

É muito comum do consulente que vai pedir uma suposta amarração, ao ser induzido, enganado e cobrado por isso, voltar a pessoa que prometeu que a tal amarração funcionaria para dizer que fez tudo certo, que entregou tudo que foi pedido, que pagou a quantia que foi cobrada, dizendo que a tal amarração ainda não teria funcionado. E ai estaria a deixa do falso “mago das amarrações” a fazer com que o consulente acreditasse que ele seria impaciente demais e não estaria dando tempo para que a suposta “magia” funcionasse, ou que o caso seria mais grave que previsto e teria que reforçar a amarração. E assim os falsos “magos das amarrações” fazem novas listas de pedidos, novos trabalhos, novas entregas, usando desrespeitosamente nomes de novas Entidades de Luz, e claro, novas cobranças em dinheiro, para assim o seu dito amado volte ao convívio de um relacionamento falso e cheio de desamor, não respeitando o livre arbítrio de cada um de nós.

E tudo isso vira uma grande “bola de neve”. Seu amor não voltará, cada dia vai se distanciar mais, sua alta estima vai se afundando mais e mais, seu amor próprio vai para o fundo de um poço infinito, sua vida ficará cheia de espíritos sem luz, obsessores de todas as formas e graus, pois você, com essas falsas entregas, estará trazendo para junto de si essas cargas espirituais obscuras, alimentando Eguns, Kiumbas e Espíritos Zombeteiros.

A Umbanda Não Amarra Ninguém. E Quem Faz Isso Usando O Nome Da Umbanda Vai Pagar Da Mesma Forma Que A pessoa Que Pediu A Amarração.

Para finalizar gostaria de frisar só um detalhe que leio muito nos e-mail’s que recebo todos os dias com assunto “amarração”. Em muitos deles, sejam esses e-mail’s vindos de homens, mulheres ou qual for a opção sexual do consulente, vem frisado a seguinte questão:

“Meu ou minha parceiro(a) me abandonou, ou saiu de casa, porque o(a) amante dele(a) fez “macumba” ou “amarração” para que isso acontecesse.”

Não. Não foi por esse motivo que seu(sua) parceiro(a) abandonou esse relacionamento.

Busque dentro de sua consciência, deixe o ego de lado, reflita nessa colocação com o mínimo de coerência.

Ou o relacionamento já andava desgastado, ou o parceiro se encontrou em um novo tipo de relacionamento, ou a vida social, econômica ou a dois estavam com atribulações, e o casal não parou para expor os problemas, deixando assim a vida andar até o ponto que não tinha mais volta, ou simplesmente o amor acabou, ou a paixão cessou.

São vários motivos para que um relacionamento se finde, são muitos altos e baixos, são muitos caminhos, que muitas vezes não são só de flores.

E quando chega o limite, e infelizmente o relacionamento termina, mesmo que para uma das partes seja extremamente difícil entender, é muito mais simples dizer para as outras pessoas e para si mesmo que tudo aconteceu por “magia”, “amarração”, ou “macumba”. Não querendo demonstrar a real causa de um problema, que as vezes vem se arrastando por anos.

E acreditando que pode ser uma suposta amarração vinda de um(a) rival, vira presa fácil de falsos “amarradores de amor”, fazendo assim a tal “bola de neve” nascer e crescer.

Portanto, dentro da Umbanda, com seus Orixás, suas Entidades de Luz e nosso Pai Maior que é Zambi (Deus), não existe essa falta de amor próprio, não existe essa prepotência de ego, não existe amarração.

Umbanda Não Faz Amarração. Não Se Pode Tirar Um Dos Maiores Presentes Dados Por Deus. Livre Arbítrio!

“Fio, Se Amarração Fosse Coisa Boa, Não Teria Motivo Pro Amor Existir.
Quem Ama Respeita A Vontade Do Outro.” – Conselhos Da Vovó Cambinda.

Amarração na Umbanda não

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Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”

Quando comecei a frequentar um Terreiro de Umbanda, não posso negar que encarava a Linha dos Exus e Pombagiras com alguma desconfiança e até receio. As imagens com chifres, capas negras e até nudez, os altares com bebidas alcóolicas e charutos e tudo aquilo que ouvimos por aí é muito marcante e causa-nos uma ideia inicial pouco positiva. Foi assim comigo e sei que é assim com muita gente.

Antes da minha primeira Gira de Exu eu estava bastante ansiosa, sem saber direito o que esperar. Será que as entidades incorporadas seriam assustadoras como as imagens? Será que fariam trabalhos de amarração e de magia negativa? Será que nessas Giras incentivam a vingança e outras posturas imorais? Eram essas e muitas perguntas que me passavam pela mente.

Passando pela primeira Gira de Exu e por outras Giras posteriormente, percebi que os mitos que as pessoas criam por aí são absurdamente falsos. Vamos a eles (os mitos):

1 – Exus não são “demônios”

Sendo entidades de Umbanda, obviamente os Exus e Pombagiras são entidades que trabalham apenas para o bem e não sustentam trabalhos de magia negativa. O trabalho dos Exus consiste em aplicar a Lei Divina, ajudando a trazer para as nossas vidas as consequências daquilo que praticamos, seja para o bem ou para o mal. Os Exus não se vingam, não “aprontam”, não colocam o mal no caminho de ninguém; ajudam-nos a colher aquilo que plantamos, tanto para aprendermos com as experiências negativas como para crescermos com as nossas virtudes.

2 – O uso da bebida e do fumo não é para diversão

Já ouvi muitas vezes que os Exus e Pombagiras, quando incorporados, pedem sempre bebidas e fumo para sentirem os prazeres da vida carnal, dos quais sentem saudades. Mas isto não é bem assim: apesar de terem vivido encarnações na Terra, como nós, e de estarem próximos da nossa faixa vibratória, os Exus são espíritos certamente mais evoluídos do que nós que estamos aqui, agora, e por isso são nossos Guias espirituais, sendo que já não estão presos a estes “prazeres carnais”. O uso da bebida e do fumo nas Giras e nas oferendas visa possibilitar que os Exus manipulem a energia mais densa contida nestas substâncias para realizar o seu trabalho de limpeza, neutralização ou corte de magias negativas nos consulentes.

3 – Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”

As Giras de Esquerda podem sim ser mais descontraídas, pelo tipo de roupa que se usa, pela linguagem e risada dos Exus e Pombagiras e pelo uso, às vezes mais intenso, de bebidas alcóolicas. Por conta disso, vejo muitos umbandistas acharem que nestas Giras pode tudo, desde beber e fumar enquanto supostamente faz a sustentação energética dos trabalhos, até falar palavrão, dançar durante os Pontos como se estivessem numa discoteca e usar roupas exageradas ou vulgares. Estes comportamentos não são aceitáveis em outras Linhas de trabalho; por que, então, achar que o são nas Giras de Exu? O trabalho realizado nas Giras de Exu é tão sério como o que é realizado numa Gira de Caboclo, de Pretos Velhos ou qualquer outra Linha, e deve ser realizado com respeito, concentração e dedicação. Se não houver atenção a isto, há grande hipótese de as entidades presentes não serem verdadeiramente Exus e Pombagiras, mas sim espíritos zombeteiros que quererão, estes sim, aproveitar o fumo, o álcool e a energia de baixa vibração manifestada pelos médiuns e consulentes.

Cabe a nós, umbandistas, procurar informação correta e ajudar a derrubar estes mitos que criam sobre os Exus. Faça a sua parte!

Laroyê!

Texto de Juliana Silva.

Linha dos Exus

Os tipo de Mediunidade

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. (…) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.” (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV)

Assim, conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contato com o Mundo Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo. Desta forma, ao fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso protetor/mentor espiritual, entramos em contato com as usinas de força da Vida Maior. Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que recebemos a influência dos espíritos superiores. E, pela questão da sintonia vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos. “O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações”. Allan Kardec.

Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)

Posto isso, os principais tipos de mediunidade são:

• De efeitos físicos: este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos – que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos – e os involuntários ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.

• Dos médiuns sensitivos ou impressionáveis: são pessoas suscetíveis que sentem presença dos espíritos por uma vaga impressão. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade.

• Médiuns audientes ou clariaudientes:
neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos. O fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os espíritos.

• Médiuns videntes ou clarividentes: o
s médiuns videntes veem espíritos, os clarividentes veem espíritos e energias do mundo espiritual. Cabe salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

• Médiuns psicofônicos: neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.

• Médiuns de cura: Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação.

• Médiuns psicógrafos: Transmitem as comunicações dos espíritos através da escrita. São subdivididos em mecânicos, semi-mecânicos e intuitivos. Os mecânicos não têm consciência do que escrevem e a influência do pensamento do médium na comunicação é quase nenhuma. Como há um grande domínio da entidade sobre a faculdade mediúnica a idéia do espírito comunicante se expressa com maior clareza. Há casos em que o médium psicografa mensagens complexas conversando com outras pessoas, totalmente distraído do que escreve. Já nos semi-mecânicos, a influência da entidade comunicante sobre as faculdades mediúnicas não é tão intensa, pois a comunicação sofre uma influência do pensamento do médium. Isso ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos. Com relação os intuitivos, estes recebem a ideia do espírito comunicante e a interpretam, desenvolvendo-a com os recursos de suas próprias possibilidades morais e intelectuais.

“Mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir”. Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda – pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco

livro

Os Mentores de Cura

Mentores de Cura

Quem são:

Os mentores de cura trabalham em diversas religiões, inclusive na Umbanda. São muito discretos em sua forma de se apresentar e trabalhar, e estas formas mudam de acordo com a religião ou local em que irão atuar. São Espíritos de grande conhecimento, seriedade e elevação espiritual.

São extremamente práticos, e não são dados a atendimentos corriqueiros, conversas banais ou ficar se estendendo a assuntos que vão além de sua competência ou nos quais não podem interferir, pois não são Guias Espirituais de consulta geral, no sentido ao qual estamos habituados na Umbanda. Em atendimentos, os Mentores de Cura, se dirigem ao raciocínio, buscam fazer o encarnado compreender bem as causas de suas enfermidades e a necessidade de mudança nessas causas, bem como a necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados. Quando precisam passar algum ensinamento o fazem em frases curtas e cheias de significado, daquelas que dão margem a longas meditações.

São Espíritos que quando encarnados foram: Médicos, Enfermeiros, Boticários, Pajés, Curandeiros, Orientais (que exercem sua própria medicina desde bem antes das civilizações ocidentais), Religiosos (monges, freis, padres, freiras, etc.), ou exerceram qualquer outra atividade ligada à cura das enfermidades dos seres humanos, seja por métodos físicos, científicos ou espirituais.

Métodos de trabalho:

Cada guia tem sua forma de restituir a saúde aos encarnados. Normalmente se utilizam de meios dos quais já se utilizavam quando encarnados, mas de forma muito mais eficiente, pois após chegarem ao plano espiritual puderam aprimorar tais conhecimentos. Além disso, esses Espíritos aprenderam a desenvolver a visão espiritual, através da qual podem fazer uma melhor anamnese (diagnóstico) dos males do corpo e da alma. Aliados aos seus próprios métodos individuais eles se utilizam de tratamentos feitos pelas equipes espirituais ou ministrados pelos encarnados com auxílio do plano espiritual.

Alguns deles são:

• Cirurgia Espiritual no Corpo Físico: É realizada pelo mentor de cura incorporado num médium. Envolve a manipulação do corpo físico através das mãos do médium, podendo ou não haver a utilização de meios cirúrgicos elementares (cortes, punções, raspagens, etc.). O maior representante deste método de trabalho no Brasil é o Espírito do Dr. Fritz, mas este método é utilizado em diversas culturas e religiões.

• Cirurgia Espiritual no Duplo-Etérico: É realizada pelo mentor incorporado num médium. Envolve a manipulação do Duplo-Etérico através do Corpo-Físico. No Duplo-Etérico está registrado e plasmado todas as doenças que temos ou iremos ter. Nesse tipo de cirurgia, mesmo tendo instrumentos cirúrgicos, não há presença de cortes.

• Cirurgia no Corpo Astral: É realizada diretamente no Corpo Astral do paciente, com ou sem a colaboração de um médium presente. Costuma ser realizada por uma equipe espiritual designada especificamente para cada caso e ser feita em dia e horário pré-determinados.

• Visita Espiritual: É realizada por uma equipe espiritual, que visita o paciente no local onde ele estiver repousando, também com um dia e hora predeterminados. Na visita, darão passes, farão orações, etc.

• Cromoterapia: É indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiuns que conheçam o método de aplicação. Atua no Corpo Físico e no Duplo-Etérico. Muito utilizado para males de origem emocional.

• Fluidoterapia: É indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiuns que conheçam o método de aplicação. Atua no Corpo Físico e no Corpo Astral.

Outros: Fora estes tratamentos, também podem ser utilizados, florais, cristaloterapia, aromaterapia, etc. Em alguns casos os guias também indicam dietas, alimentos a serem evitados ou ingeridos para melhoria da saúde geral.

Não aconselhamos o uso de remédios alopatas, homeopatas e nem fitoterápicos, por poderem ter complicações na saúde do assistido. Aliás, como nos disse um médico: “Só tome um remédio que tiver bula”. O Uso de remédios, seja qual for, implicará em “curandeirismo”, e se por ventura um simples chá fizer mal a uma pessoa, o dirigente do Terreiro terá que prestar contas à justiça.

Nos tratamentos cirúrgicos espirituais, lidaremos basicamente com a medicina vibracional. Portanto, é de grande valia o uso da água fluidificada em qualquer caso.

Observamos também, Guias Espirituais de Cura utilizarem ínfimas porções de ervas aliadas a água fluidificada com grande êxito. Isso seria o uso vibracional das ervas e não o uso de princípios ativos delas.

Como os Guias de Cura interagem com os médiuns:

• Incorporação: É como uma incorporação normal.

• Intuição: Alguns mentores trabalham com seus médiuns apenas pela via intuitiva, indicando as providências a tomar e tratamentos. Neste caso, é necessário um grande equilíbrio e desenvolvimento do médium, para que o mesmo não atrapalhe nas indicações dadas pelo mentor.

• Psicografia (Receitas): Funciona da mesma forma que na psicografia comum, mas os Espíritos comunicantes costumam psicografar receitas de tratamentos.

Equipes Espirituais:

• Cirúrgicas: São formadas da mesma forma que as equipes cirúrgicas do plano material, compostas de cirurgião, assistente, anestesista, instrumentista, enfermeiros, etc. Apenas diferem no que se refere aos instrumentos e tecnologia utilizados. Incluindo também a aplicação de passes e energias associados à intervenção cirúrgica.

• De oração: Formadas normalmente por Espíritos de religiosos, acostumados às preces quando encarnados. Estas equipes se reúnem junto ao paciente em uma corrente de orações com finalidade de equilibrar o mental e emocional do paciente e também de buscar energias dos planos superiores. Como efeito adicional, a prece tende a elevar a energia geral do ambiente onde está o paciente, assim como dos encarnados que estão atuando junto ao mesmo.

• De proteção: Quando o mal físico está associado a interferência de Espíritos inferiores, essas equipes fazem a proteção do paciente, enquanto o mesmo é tratado nas cirurgias ou visitas, ou enquanto está seguindo as recomendações indicadas pelos mentores de cura.

• De passes (passe espiritual): Seu trabalho é realizado em sua maior parte durante as sessões de cura e durante as visitas espirituais. Dando passes no paciente, nos assistentes e nos médiuns; antes, durante e após a sessão.

• De apoio: Estas equipes atuam levantando o histórico do paciente diretamente no seu campo mental, preparando-o através da intuição para a consulta, estimulando-o através do pensamento a reeducar hábitos nocivos, a mudar as situações que estejam prejudicando a própria saúde, inspirando-os força de vontade para continuar os tratamentos e seguir as recomendações e dietas.
O que curam e o que não curam

Os Males que afetam o Assistido:

• Males Físicos: Todos os males físicos de que os encarnados sofrem, são causados pelos maus hábitos, mentes desequilibradas, falsas crenças, viciações, sedentarismo e má alimentação. Os mentores nestes casos se utilizam das diversas terapias para a cura, mas principalmente esclarecem ao encarnado quanto à origem de tais males, sugerindo dietas, o abandono ou diminuição dos vícios e mudança de hábitos. Nestes casos a cura definitiva só pode ser obtida com a plena conscientização do paciente e com a sua força de vontade e compromisso na obtenção do equilíbrio orgânico.

• Males Mentais: Parte dos males mentais (depressão, angústia, apatia, etc.) são causados por obsessores, mas a maior parte deles tem por origem a própria atitude mental do paciente. Pensamentos negativos atraem energias negativas, que quando se tornam constantes e intensas podem se materializar no corpo físico na forma de doenças. Males como: úlceras, enxaquecas, hipertensão, problemas cardíacos, e até mesmo algumas formas de câncer são provocados pela mente desequilibrada do paciente, quando esta se encontra tomada por pensamentos negativos. Também neste caso os mentores além de indicarem os tratamentos apropriados, esclarecem ao paciente quanto à necessidade de mudar a atmosfera mental, com objetivo de não ficar atraindo continuamente energias desequilibrantes, costumam também sugerir passeios por locais da Natureza e o hábito da prece como forma de atrair energias novas e regeneradoras.

• Males Kármicos: Os males kármicos se caracterizam por doenças incuráveis (fatais ou não) tanto pela medicina oficial, quanto por terapias alternativas ou por meios espirituais. Nestes casos o tratamento visa o alívio do paciente ou ampará-lo emocionalmente para que sua atitude mental não tome o rumo da revolta ou do desespero. As doenças kármicas são males que escolhemos antes de encarnar como forma de resgatarmos erros passados. Típicos males kármicos são: Cegueira de nascença, mudez, Idiotia, Eplepsia, Sindrome de Down, Más-Formações do corpo físico, câncer, etc. Na maior parte são males de nascença, embora algumas doenças possam ter sido “programadas” para surgir em determinada época da encarnação. Nestes casos os mentores não podem curar o corpo, pois através do padecimento deste é que o Espírito está resgatando suas faltas e aprendendo valiosas lições para sua evolução e crescimento.

• Males Espitituais: São aqueles causados pela atuação dos Espíritos (obsessores, vampirizadores, etc.) e que se refletem no corpo físico. Nestes casos os mentores cuidam do corpo físico enquanto o paciente é tratado também em sessões de desobsessão, descarrego, etc. Ou seja os mentores com as terapias à seu alcance minimizam e atenuam os males causados ao corpo físico enquanto o paciente é tratado na origem espiritual do mal de que sofre. Quando o paciente se vê livre da presença espiritual nociva, os mentores costumam ainda continuar com os tratamentos visando reparar os males que já haviam sido causados ao organismo, até que ele retorne ao seu equilíbrio.

(Texto baseado nos apontamentos do Núcleo Mata Verde, com adaptações do autor publicada na Tenda Umbandista Caboclo 7 Flechas http://www.caboclo7flechas.com.br/ )

Patuás na Umbanda

Patua na Umbanda

“Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”

     Comete engano quem acredita que a expressão esteja referindo a mandinga como feitiço, ebó, ‘coisa feita’, etc. Mandinga é um grupo (ou nação) africano do norte que por sua proximidade com os árabes acabou por se tornar mu­çulmano. Com o desenvolvimento do tráfico de escravos, muitos negros mandingas vieram parar nas Américas, vítimas que foram da ambição dos brancos. Por serem os negros mandingas muçulmanos, muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe, além de conhecer a matemática melhor do que os brancos, seus senhores, e este estado superior de cultura de um determinado grupo negro fez com que fossem tidos como feiticeiros, passando a expressão mandinga a sinônimo de feitiço. Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos negros mulçumanos. O branco, apro­veitando-se dessa rivalidade e confiando aos mandingas funções superiores que os demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os mandingas não eram obrigados pelos brancos a ingerir restos de carne de porco, e até mesmo permitiam que estes trouxessem trechos do Alcorão encerrados em pequenos invólucros de pele pendurados ao pescoço. Geralmente eram os mandingas quem acabava ocupando o lugar de caçadores de escravos fujões, os chamados “capitães-do-mato”.

    Por isso, quando um negro pretendia fugir, além de se preparar para lutar sem armas através da capoeira e do maculelê, ele deixava o cabelo carapinha e pendurava ao pescoço um patuá, de forma que pensassem tratar-se de um mandinga, para não ser perseguido. Todavia, se um verdadeiro mandinga o abordasse e ele não soubesse responder em árabe, o verdadeiro mandinga descarregaria todo seu furor nesse infeliz negro fujão. Daí nasceu a expressão “quem não pode com mandinga, não carrega patuá”.

    Mais tarde, porém, o hábito de utilizar patuás entre negros foi se generalizando, pois estes acreditavam que o poder dos mandingas era devido, em grande par te, aos poderes do patuá. Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda hoje utilizam, crucifixos e medalhas, Agnus Dei, etc., que, depois de benzidos, a maioria das pessoas acredita possam trazer proteção aos devotos nelas representados.

Afinal o que é Patuá?

O patuá é um objeto consagrado que traz em si o Aché, a força mágica do Orixá, do santo católico ou Guia de luz, a quem ele é consagrado.

Qual a diferença entre amuletos, patuás e talismãs?

Amuletos: são as formas encontradas na natureza, os cristais, os animais e os vegetais. Os mais conhecidos são: pés-de-coelho, trevo-de-quatro-folhas, cristais e pedras preciosas, ervas como arruda e guiné, rosas, etc.

Talismãs e patuás: são criados pelas mãos do ser humano a partir de amuletos para estimular determinada energia contida nestes objetos (metal, pedra preciosa, erva, espelho, raiz, etc) e direcioná-la para um único objetivo a ser cumprido com seu uso ritual ou no dia a dia tanto por sacerdotes da religião quanto por qualquer outra pessoa.

Cuidados com o seu patuá

Por serem feitos para uma única pessoa ou um único propósito, os amuletos, talismãs e patuás devem ser utilizados somente para a pessoa a que foi destinado, não devendo ser utilizado nem manipulado ou emprestado a outras pessoas.

Sem um ritual que valide o objeto e o torne consagrado por alguma entidade ou mãe de santo ele não tem nenhum valor espiritual prático podendo ser usado apenas como enfeite.

No candomblé e umbanda o uso mais comum é de patuás para proteção ou para o caso específico de certos trabalhos espirituais feitos com entidades variadas como Exús, Pomba giras,Preto Velho, Caboclos, e certamente orixás.

Patuás de Proteção de algumas entidades de umbanda

  1. Patuá de Preto Velho: São patuás receitados por Pretos Velhos também destinada a vários tipos de cura, e harmonização de lar.
  2. Patuá de Caboclo, boiadeiros, marinheiros: São patuás geralmente receitados por entidades na linha de Caboclos de Oxóssi da Umbanda. Geralmente são patuás destinados a cura de doenças, descarrego e energização de ambientes e muitas outras finalidades.
  3. Patuás de Pomba giras e Exús:  são entidades que trabalham nas áreas de amor, prosperidade  em nosso plano material, além da proteção contra o próprio homem, exemplos olho gordo, inveja, etc. 

A importância dos Atabaques

Atabaque (ou Tabaque) é um instrumento musical de percussão. O nome é de origem árabe: at-tabaq (prato). Constitui-se de um tambor cilíndrico ou ligeiramente cônico, com uma das bocas cobertas de couro de boi, veado ou bode.

É tocado com as mãos, com duas baquetas, ou por vezes com uma mão e uma baqueta, dependendo do ritmo e do tambor que está sendo tocado. Pode ser usado em kits de percussão em ritmos brasileiros.No candomblé é considerado objeto sagrado.

Tambores altos e estreitos, afunilados de um só couro, usados para atrair as diferentes vibrações, quando tocados. Os atabaques são usados para manter o ambiente sob uma vibração homogênea e fazer com que todos os médiuns permaneçam em atenção mediúnica.

Tipos de atabaques

  • Rum (grave)
  • Rumpi (médio)
  • Lê (agudo)

Tambor

Os atabaques são um dos principais pontos de atração de vibrações de um terreiro. A energia do Orixá/Entidade chamado é captada pelos assentamentos e direcionada para o “Zelador” onde é concentrada e depois lançada para os atabaques onde é modulada e distribuída para os médiuns da corrente.

O responsável pelos atabaques é normalmente uma pessoas escolhida no terreiro que conheça os ritmos aplicados para cada linha dentro da Umbanda.

É importante frisar que a Umbanda não tem Ogã. Este “título” somente se aplica ao Candomblé.

Os atabaques devem ser tratados com o máximo de respeito e nenhuma pessoa desautorizada deverá tocá-los, o que poderia colocar em risco o equilíbrio da gira e a faixa mediúnica dos médiuns da corrente.

Quando fora de uso, os atabaques, devem ser cobertos com pano próprio.

É importante observar que o toque (volume) dos atabaques nunca deve exceder as vozes da corrente. Quando o atabaque excede a corrente se desorganiza e o médium perde a concentração, atrapalhando e muito o desenvolvimento dos médiuns e o bom andamento do trabalho.

O toque do atabaque deve manter suas raízes no samba, donde nasceram a maior parte dos pontos cantados da Umbanda. O toque do atabaque é normalmente o “toque sambado” do instrumento. é absolutamente desnecessário “surrar” o couro, uma vez que este elemento é usado somente para induzir o ritmo dos pontos cantados. Com a junção do atabaque e a corrente cantando vibrante os pontos cantados faz-se a festa de Umbanda. Esta é que mantém a vibração do terreiro.

Os sons são projetados para os ouvidos dos médiuns (regido por Xangô que também rege o som). As vibrações sonoras (moléculas de ar vibrando para frente e para trás) são recolhidas pelo ouvido externo que as conduz até os tímpanos que as faz vibrar, então são levadas ao ouvido interno e através do nervo auditivo chegam até o cérebro onde se dá a percepção do som.

Obs.: O atabaqueiro pode projetar a energia sonora até 40 metros de distância.

Xangô também rege os atabaques através de seus Caboclos. Alguns Caboclos que recebem energização de Xangô são: Pena Verde, Giramundo, 7 Flechas, Cobra Coral.

Lembrando: somente os Caboclos de Xangô regem os atabaques.

Quando os atabaqueiros não estão preparados, a energia de Xangô isola os atabaques, assim as vibrações partem direto do Zelador para o campo do atabaqueiro. O Caboclo atrás do atabaqueiro projeta a energia modulada para o chakra espiritual dos médiuns.

Os sons emitidos pelos atabaques na devida intensidade determina que tipo de entidade será “chamada” ou “atraída”.

As energias intensas correspondem às entidades classificadas como “guerreiras”, que recebemos em nosso corpo de forma direta: Orixás, Guias Guerreiros e Protetores de Demanda e sua chegada na Terra é regida pelo Caboclo Tabajara. Os toques para estas entidades são sempre altos e com ritmos acelerados.

Já as energias centrípetas correspondem às entidades “harmoniosas” que recebemos em nosso corpo sendo envolvidos por uma espiral: Orixás, Guias Harmoniosos, Protetores de Cura e sua chegada na Terra é regida pela Mãe Jurema que tem sua Lei responsável pelo equilíbrio dos corpos celestes em relação ao espaço infinito. Os toques dos atabaques nestas giras devem ser mais baixos e com ritmos lentos e cadenciados.

Apesar do que foi exposto, é correto lembrar que mesmo sem os atabaques, as entidades e energias podem ser atingidas e atraídas para o mundo material, apenas a gira em si, será completamente diferente. A incorporação dependerá única e exclusivamente de cada médium, exigindo deles toda a sua capacidade de concentração. Além disso o equilíbrio do ambiente será outro pois não será utilizada a ciclagem de energias promovida pelos fundamentos do atabaque como explicaremos a seguir.

Importância dos atabaques

Para produzirmos energia provocamos o atrito no couro dos atabaques e com isso atingimos níveis de calor e vibrações sonoras que vão diretas para os campos celulares dos médiuns. Os médiuns se eletrizam ao som dos atabaques. Sem atabaques, sem eletrização.

Pelo campo magnético do atabaqueiro que absorveu as energias que vieram do Zelador, são projetadas as vibrações dos nossos assentamentos para os demais médiuns assim a corrente magnética se espalha pelo recinto de trabalho.

O atabaqueiro, ao tocar, aguça sua captação de energias, recebe de um Guia uma certa carga de vibrações que se infiltra nos seus planos material e espiritual iniciando, depois, um ciclo que terá término em suas mãos. Com a produção de energia calorífica, através do toque no couro, o atabaqueiro fará a mistura com as vibrações das entidades e as vibrações naturais dos médiuns, a sua energia e a do Guia irão circular na corrente mediúnica começando dos médiuns mais preparados e passando para os iniciantes. Essa energia, quando enfraquecida, volta para as mãos do atabaqueiro onde será fortificada e voltará a fazer o ciclo na corrente.

Percebe-se que tanto a presença física dos atabaques quanto a dos atabaqueiros é de suma importância para a atração e distribuição das energias dentro da gira. Assim, concluímos que através dos discos ou aparelhos eletrônicos jamais teremos os resultados esperados. É melhor que se trabalhe somente com preces e concentração para obter-se maior eficiência caso não haja possibilidade de haver uma pessoa preparada comandando os cânticos e toques.

Regência dos Atabaques

  1. O couro pertence ao Caboclo que dá força ao atabaqueiro para tocá-lo.
  2. A madeira a Pai Xangô que dá ao atabaque a condição de justiça para não ser utilizado para o mal.
  3. A ferragem aos Exús que não permitem que eles sofram demandas.

Com essas energias combinadas ao toque e ao canto temos um instrumento de contato com qualquer entidade, seja ela de ação, reação, sublimação, positiva, negativa ou neutra. Com os atabaques devidamente preparados podemos então trabalhar com os Orixás, Guias e Protetores. É ele o mensageiro entre nós e o mundo espiritual. As mensagens vão para outras dimensões por códigos, feito um telégrafo, através dos “toques”.

No atabaque só quem pode tocar são os Zeladores, os atabaqueiros previamente autorizados para isso, nenhuma outra vibração deve ser colocada sobre os mesmos. As pessoas devem ser preparadas para tocá-lo e só devem ser utilizados para trabalhos espirituais, nunca para diversão. Se acontecer perderá toda imantação e deverá ser “cruzado” novamente.

Caso alguém resolva usá-lo sem autorização estará consumindo uma energia que para ele se tornará negativa. Assim como uma lâmpada estoura se ligada em fase superior a sua capacidade, também a pessoa irá sofrer as conseqüências desse contato. Poderá sentir dores de cabeça, ou pior, poderá estar evocando algum espírito trevoso pela correspondência do toque usado, então o atabaque acaba se tornando uma arma contra aquele que o está usando indevidamente.

Nos terreiros em que qualquer um toca no atabaque, das duas uma: ou são todos desconhecedores de sua energia ou o atabaque não é cruzado. Quando uma entidade pedir o atabaque devemos entregá-lo pois ele nunca irá bater, mas sim tirar alguma demanda ou imantá-lo para alguma gira específica. As outras entidades cruzam o atabaque sem tocar nele.

Quando for necessário trocar um atabaque uma entidade irá avisar. Quando fora de uso, os atabaques devem estar sempre cobertos com um pano contendo a firmeza do terreiro.

Antes de usar o atabaque deve-se pedir permissão, tocando o couro e dizendo:

Dai-me licença Pai Oxalá. Dai-me licença …(entidade dona do atabaque). Dai-me força e dignidade para esse instrumento eu tocar.

Quando o atabaque for guardado, deve-se agradecer:

Obrigado meu Pai Oxalá. Obrigado …..(entidade dona do atabaque). Obrigado por ter-me permitido cumprir a minha missão.

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Doação a Moradores de Rua

Quem está disposto a ajudar o próximo também está apto a doar alguma coisa, seja ela material ou muito pessoal – daquelas que não podemos encontrar à venda em uma prateleira. Fazer parte como voluntário de um projeto social faz bem ao outro e a si mesmo.

Com essa ideia em mente a Casa Espírita de Oxóssi realiza todos os anos um trabalho de doação de alimentos a moradores de rua. Reunimos juntamente com nossos frequentadores e integrantes da casa, doações de lanches, sucos e refrigerantes que são embalados individualmente e depois entregue a moradores de rua e pessoas carentes. Todo esse trabalho é feito em localidades próximas a nossa casa reforçando nosso trabalho social em prol de nossa comunidade.

Ao prestar solidariedade e se doar, você estará assumindo não uma obrigação, mas um compromisso em benefício de outra pessoa. Ninguém precisa se preocupar com o retorno pessoal dessa ação, porque ela objetiva o bem e o crescimento de outro alguém que não a si mesmo. Porém, doar acaba sim se tornando uma via de mão dupla.

Ocorre um bem-estar imenso. E, geralmente, sentimos e recebemos gratidão quando praticamos a solidariedade. Doar também é uma atitude de quem está certo do que tem que fazer, porque permite que um não desampare o outro em um momento de aflição e necessidade.

“As boas ações são a melhor prece, por isso que os atos valem mais que as palavras.” (O Livro dos Espíritos, questão 661)

“É preciso discernir o momento em que o conselho deve ser substituído por um pedaço de pão.” (Emmanuel)

“O tempo utilizado a benefício do próximo é bênção que entesouramos, em nosso próprio favor, para sempre.” (Áulus)

“A caridade é um exercício espiritual… Quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma.” (Chico Xavier)

 Foto abaixo: Doação realizada no último dia 12/10/2014

Doação a moradores de rua