Curiosidades

Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”

Quando comecei a frequentar um Terreiro de Umbanda, não posso negar que encarava a Linha dos Exus e Pombagiras com alguma desconfiança e até receio. As imagens com chifres, capas negras e até nudez, os altares com bebidas alcóolicas e charutos e tudo aquilo que ouvimos por aí é muito marcante e causa-nos uma ideia inicial pouco positiva. Foi assim comigo e sei que é assim com muita gente.

Antes da minha primeira Gira de Exu eu estava bastante ansiosa, sem saber direito o que esperar. Será que as entidades incorporadas seriam assustadoras como as imagens? Será que fariam trabalhos de amarração e de magia negativa? Será que nessas Giras incentivam a vingança e outras posturas imorais? Eram essas e muitas perguntas que me passavam pela mente.

Passando pela primeira Gira de Exu e por outras Giras posteriormente, percebi que os mitos que as pessoas criam por aí são absurdamente falsos. Vamos a eles (os mitos):

1 – Exus não são “demônios”

Sendo entidades de Umbanda, obviamente os Exus e Pombagiras são entidades que trabalham apenas para o bem e não sustentam trabalhos de magia negativa. O trabalho dos Exus consiste em aplicar a Lei Divina, ajudando a trazer para as nossas vidas as consequências daquilo que praticamos, seja para o bem ou para o mal. Os Exus não se vingam, não “aprontam”, não colocam o mal no caminho de ninguém; ajudam-nos a colher aquilo que plantamos, tanto para aprendermos com as experiências negativas como para crescermos com as nossas virtudes.

2 – O uso da bebida e do fumo não é para diversão

Já ouvi muitas vezes que os Exus e Pombagiras, quando incorporados, pedem sempre bebidas e fumo para sentirem os prazeres da vida carnal, dos quais sentem saudades. Mas isto não é bem assim: apesar de terem vivido encarnações na Terra, como nós, e de estarem próximos da nossa faixa vibratória, os Exus são espíritos certamente mais evoluídos do que nós que estamos aqui, agora, e por isso são nossos Guias espirituais, sendo que já não estão presos a estes “prazeres carnais”. O uso da bebida e do fumo nas Giras e nas oferendas visa possibilitar que os Exus manipulem a energia mais densa contida nestas substâncias para realizar o seu trabalho de limpeza, neutralização ou corte de magias negativas nos consulentes.

3 – Gira de Exu não é “Casa da Mãe Joana”

As Giras de Esquerda podem sim ser mais descontraídas, pelo tipo de roupa que se usa, pela linguagem e risada dos Exus e Pombagiras e pelo uso, às vezes mais intenso, de bebidas alcóolicas. Por conta disso, vejo muitos umbandistas acharem que nestas Giras pode tudo, desde beber e fumar enquanto supostamente faz a sustentação energética dos trabalhos, até falar palavrão, dançar durante os Pontos como se estivessem numa discoteca e usar roupas exageradas ou vulgares. Estes comportamentos não são aceitáveis em outras Linhas de trabalho; por que, então, achar que o são nas Giras de Exu? O trabalho realizado nas Giras de Exu é tão sério como o que é realizado numa Gira de Caboclo, de Pretos Velhos ou qualquer outra Linha, e deve ser realizado com respeito, concentração e dedicação. Se não houver atenção a isto, há grande hipótese de as entidades presentes não serem verdadeiramente Exus e Pombagiras, mas sim espíritos zombeteiros que quererão, estes sim, aproveitar o fumo, o álcool e a energia de baixa vibração manifestada pelos médiuns e consulentes.

Cabe a nós, umbandistas, procurar informação correta e ajudar a derrubar estes mitos que criam sobre os Exus. Faça a sua parte!

Laroyê!

Texto de Juliana Silva.

Linha dos Exus

Exus

Exus

Comemoração: 13 de Agosto

Os Exus, enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorporam em seus médiuns e dão consultas gratuitas, aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar suas dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem o solicitou. Os Exus que incorporam estão aprendendo a usar os instrumentos colocados à sua disposição e vão se aperfeiçoando e acelerando sua evolução. Eles tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

No  aspecto  geral,  Exu  rege  sobre  a  vitalidade  dos seres. Ele é portador de um poderoso mistério, ligado à sexualidade masculina.  Mas, se Exu transpira vigor por todos os seus sentidos, não vibra o fator estímulo, iniciativa, expressando apenas os desejos alheios, seja de seus médiuns, seja dos que o evocam ou oferendam. Por não vibrar esse fator, não toma iniciativas próprias e polariza com pomba-gira, que emana o fator desejo, o qual, se juntando com o fator vitalidade, estimula os seres a tomar suas próprias iniciativas. Exu e Pombo-gira são indispensáveis um para o outro.

Exu é o mais humano dos mistérios de Umbanda, porque reflete em si a natureza emotiva do seu médium, no qual ele se manifesta e incorpora.

Embora aparentemente seja punidor, na verdade ele atua como agente esgotador de negativismos ou criador de estímulos que ativam o emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do “alto”. É regido pelo mistério “Trono Neutro”, que não é bom nem mau, e responde segundo é invocado. Através do seu fator vitalizador, ele tanto vitaliza como desvitaliza os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.

Linha dos Exus

Exu

Pontos de Exu

– CLIQUE AQUI PARA OUVIR –

Canto a Tranca Rua das Almas

De capa e cartola caminha na madrugada
Andarilho da estrada, sempre combatendo o mal
Seu Tranca Ruas é amigo camarada
Dando forte gargalhada, me livra de todo o mal
A laroiê Exu, a Mojubá
Melhor que Tranca Rua das Almas não há
Sete marafos coloquei na encruzilhada
Sete velas e charutos, também levei um padê
A meia noite chamei por seu Tranca Ruas
Ouvi forte gargalhada, ele veio me valer
A laroiê Exu, a Mojubá
Melhor que Tranca Rua das Almas não há
Faço um pedido no meio da encruzilhada
Pra Tranca Rua das Almas, antes do galo cantar
Se o galo canta, é sinal que ta na hora
Firma gira meu Ogã que Tranca Ruas vai embora
A loroiê Exu, a Mojubá
Melhor que Tranca Rua das Almas não há

Deu meia noite

Deu meia noite, a lua se escondeu
Lá na encruzilhada dando a sua gargalhada
Tranca Rua apareceu
É Laroê, laroê, é loroê
É Mojubá, mojubá, é mojubá
Ele é Odara dando a sua gargalhada
Quem têm fé em Tranca Rua
É só pedir que ele dá

Eu vi Exu dando gargalhadas

Eu vi Exu dando gargalhadas
Com tridente na mão, sua capa bordada
Com tridente na mão, sua capa bordada
Ele é Exu Tiriri
Morador lá da Kalunga, vem firmar seu ponto aqui

Portão de ferro, Cadeado de madeira

Portão de ferro, cadeado de madeira
Portão de ferro, cadeado de madeira
Exu toma conta, Exu preste a conta
Seu Exu feche a nossa Porteira
Seu Exu feche a nossa Porteira

Exu Tatá Caveira

Soltaram um bode preto meia noite na Kalunga
Soltaram um bode preto meia noite na Kalunga
Ele correu os quatro canto, foi parar lá na porteira
Bebeu marafo, com Tatá Caveira
Ele correu os quatro canto, foi parar lá na porteira
Bebeu marafo, com Tatá Caveira

Exu Gira Mundo

Girou, girou, girou Exu Gira Mundo
Girou, girou, pomba gira que vence demanda
Rainha da encruza, saravá Umbanda
Girou, girou, girou Exu Gira Mundo
Girou, girou, pomba gira que vence demanda
Rainha da encruza, saravá Umbanda
Eee saravá Umbanda, eea saravá Umbanda
Eee saravá Umbanda, eea saravá Umbanda
Girou, girou, girou Exu Gira Mundo
Girou, girou, pomba gira que vence demanda
Rainha da encruza, saravá Umbanda
Girou, girou, girou Exu Gira Mundo
Girou, girou, pomba gira que vence demanda
Rainha da encruza, saravá Umbanda
Eee saravá Umbanda, eea saravá Umbanda
Eee saravá Umbanda, eea saravá Umbanda

Exu Meia Noite

Deu meia noite na terra e mar
Deu no mato, na kalunga, em todo lugar
Seu Meia Noite não tem hora pra chegar
Quando chega meia noite, chega em qualquer lugar

Lá na encruzilhada

Lá na encruza, na encruza
Existe um homem valente
Com sua capa e cartola
E seu punhal entre os dentes, a madrugada
É madrugada, é madrugada
E ele esta do meu lado
Por isso eu te digo Tranca Ruas
Você é meu advogado

Exu Arranca Toco

Oh meu senhor das almas de mim não faça pouco
Oh meu senhor das almas de mim não faça pouco
Olha lá que ele é Exu, é Exu Arranca Toco
Olha lá que ele é Exu, é Exu Arranca Toco

Sem Exu não se faz nada

Exu da meia noite, Exu da encruzilhada
Salve o povo de Quimbanda
Sem Exu não se faz nada
Exu da meia noite, Exu da encruzilhada
Salve o povo de Quimbanda
Sem Exu não se faz nada

Seu Sete Catacumbas já chegou

Seu Sete Catacumbas já abriu sua tumba
Seu Sete Catacumbas já abriu e saiu
Gargalhou, gargalhou
Seu Sete Catacumbas já chegou
As almas eu adorei, atotô
As almas eu adorei, atotô

Sino da Igrejinha

O sino da igrejinha faz Belém blem blom
Deu meia noite o galo já cantou
Seu Tranca Rua que é dono da gira
Oi corre gira que Ogum mandou
O sino da igrejinha faz Belém blem blom
Deu meia noite o galo já cantou
Seu Tranca Rua que é dono da gira
Oi corre gira que Ogum mandou

casa espirita de oxossi