Mentores de Cura

Mentores de Cura

Quem São os Mentores de Cura?

Os mentores de cura trabalham em diversas religiões, inclusive na Umbanda. São muito discretos em sua forma de se apresentar e trabalhar, e estas formas mudam de acordo com a religião ou local em que irão atuar. São espíritos de grande conhecimento, seriedade e elevação espiritual. Alguns deles não demonstram muito sentimento mas mesmo assim têm muita vontade de ajudar ao próximo, com o tempo tedem a evoluir também para um sentimento maior de amor ao próximo.

São extremamente práticos, não aceitando conversas banais ou ficar se estendendo a assuntos que vão além de sua competência ou nos quais não podem interferir, pois não são guias de consulta no sentido ao qual estamos habituados na Umbanda.

Para se ter uma idéia melhor, sua consulta seria o pólo oposto à consulta com um Preto Velho. Normalmente os pretos velhos dão consultas longas, cheias de ensinamentos de histórias, apelando bem para o lado emocional. Já os Mentores de Cura, se dirigem ao raciocínio, buscam fazer o encarnado compreender bem as causas de suas enfermidades e a necessidade de mudança nessas causas, bem como a necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados. Quando precisam passar algum ensinamento o fazem em frases curtas e cheias de significado, daquelas que dão margem à longas meditações.

São espíritos que quando encarnados foram: Médicos, Enfermeiros, Boticários, Orientais (que exercem sua própria medicina desde bem antes das civilizações ocidentais), Religiosos (monges, freis, padres, freiras, etc.), ou exerceram qualquer outra atividade ligada a cura das enfermidades dos seres humanos, seja por métodos físicos, científicos ou espirituais.

Métodos de Trabalho

Cada guia tem sua forma de restituir a saúde aos encarnados, normalmente se utilizam de meios dos quais já se utilizavam quando encarnados, mas de forma muito mais eficiente, pois após chegarem ao plano espiritual puderam aprimorar tais conhecimentos. Além disso esses espíritos aprenderam a desenvolver a visão espiritual, através da qual podem fazer uma melhor anamnese (diagnóstico) dos males do corpo e da alma.

Aliados aos seus próprios métodos individuais eles se utilizam de tratamentos feitos pelas equipes espirituais ou ministrados pelos encarnados com auxílio do plano espiritual.

Alguns deles são:

Cirurgia Espiritual

É realizada pelo mentor de cura incorporado ao médium. E envolve a manipulação do corpo físico através das mãos do médium, podendo ou não haver a utilização de meios cirúrgicos elementares (cortes, punções, raspagens, etc…). O maior representante deste método de trabalho no Brasil é o espírito do Dr. Fritz, mas este método é utilizado em diversas culturas e religiões.

Cirurgia Perispiritual

É realizada diretamente no perispírito do paciente, com ou sem a colaboração de um médium presente, costuma ser realizada por uma equipe espiritual designada especificamente para cada caso e ser feita em dia e horário pré determidados.

Visita Espiritual

É realizada por uma equipe espiritual, que visita o paciente no local onde ele estiver repousando, também com um dia e hora predeterminados. Na visita, darão passes, farão orações, etc…

Cromoterapia

É indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiúns que conheçam o método de aplicação. Atua no corpo físico e no duplo etérico. Muito utilizado para males de origem emocional.

Fluidoterapia

É indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiúns que conheçam o método de aplicação. Atua no corpo físico e no perispírito.

Reiki

É indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiúns que conheçam o método de aplicação. Atua no corpo físico e no duplo etérico. Muito utilizada para males de origem emocional ou psíquica e para realinhamento de chacras.

Homeopatia

Indicada e receitada pelos mentores espirituais. As fórmulas são feitas normalmente por laboratório de manipulação homeopáticos. E devem ser tomados de acordo com o determinado.

Outros

Fora estes tratamentos, também podem ser utilizados, florais de Bach, cristaloterapia, chás, aromaterapia, acumpuntura, do-in, etc…

Em alguns casos os guias também indicam dietas, alimentos a serem evitados ou ingeridos para melhoria da saúde geral.

OBS: Para o momento da visita espiritual e cirurgia espiritual: O paciente deverá vestir-se e deitar-se com roupas claras (de preferência branca); ficar num ambiente calmo, com pouca luz e colocar ao lado um copo d’água para ser bebida após o tratamento.

Após a visita e a cirurgia, o paciente deverá manter-se em abstenção por mais 6 horas, para que a energia doada seja melhor absorvida.

Como interagem com os médiuns

Incorporação

É muito sutil e dificilmente inconsciente a incorporação dos mentores de cura. Muitas vezes atuam apenas na fala e só assumem o controle motor quando necessário.

Intuição

Alguns mentores trabalham com seus médiuns apenas pela via intuitiva, indicando as providências a tomar e tratamentos. Neste caso, é necessário um grande equilíbrio e desenvolvimento do médium, para que o mesmo não atrabalhe nas indicações dadas pelo mentor.

Psicografia (Receitistas)

Funciona da mesma forma que a psicografia comum, mas os espíritos comunicantes costumam psicografar receitas de tratamentos e medicamentos (que em alguns casos podem até mesmo ser da medicina comum).

Equipes Espirituais

Cirúrgicas

São formadas da mesma forma que as equipes cirúrgicas do plano material, compostas de cirurgião, assistente, anestesista, instrumentista, enfermeiros, etc… Apenas diferem no que se refere aos instrumentos e tecnologia utilizados. Incluindo também a aplicação de passes e energias associados a intervenção cirúrgica.

De Oração

Formadas normalmente por espíritos religiosos, acostumados às preces quando encarnados. Estas equipes se reúnem junto ao paciente em uma corrente de orações com finalidade de equilibrar o mental e emocional do paciente e também de buscar energias dos planos superiores. Como efeito adicional, a prece tende a elevar a energia gelal do ambiente onde está o paciente, assim como dos encarnados que estam atuando junto ao mesmo.

De Proteção

Quando o mal físico está associado a interferência de espíritos inferiores, essas equipes fazem a proteção do paciente, enquanto o mesmo é tratado nas cirurgias ou visitas, ou enquanto está seguindo as recomendações indicadas pelos mentores de cura.

De Passes (passe espiritual)

Seu trabalho é realizado em sua maior parte durante as sessões de cura e durante as visitas espirituais. Dando passes no paciente, nos assistentes e nos médiuns; antes, durante e após a sessão.

De Apoio

Estas equipes atuam levantando o histórico do paciente diretamente no seu campo mental, preparando-o através da intuição para a consulta, estimulando-o através do pensamento a reeducar hábitos nocivos, a mudar as situações que estejam prejudicando a própria saúde, inspirando-os força de vontade para continuar os tratamentos e seguir as recomendações e dietas.

O que curam e o que não curam

Males Físicos

A maior parte dos males físicos de que os encarnados sofrem, são causados pelos maus hábitos, vícios e má alimentação. Os mentores nestes casos se utilizam das diversas terapias para a cura mas principalmente esclarecem ao encarnado quanto a órigem de tais males, sugerindo dietas, o abandono ou diminuição dos vícios e mudança de hábitos. Nestes casos a cura definitiva só pode ser obtida com a plena conscientização do paciente e com a sua força de vontate e compromisso na obtenção do equilíbrio orgânico.

Males Mentais

Parte dos males mentais (depressão, angústia, apatia) são causados por obsessores, mas a maior parte deles tem por origem a própria atitude mental do paciente. Pensamentos negativos atraem energias negativas, que quando se tornam constantes e intensas podem se materializar no corpo físico na forma de doenças. Males como: úlceras, enxaquecas, hipertensão, problemas cardíacos, e até mesmo algumas formas de câncer podem ser provocados pela mente do pacinte, quando esta se encontra tomada por pensamentos negativos.Também neste caso os mentores além de indicarem os tratamentos apropriados, esclarecem ao paciente quanto a necessidade de mudar a atmosfera mental, com objetivo de não ficar atraindo continuamente energias desequilibrantes, costumam também sugerir passeios por locais da natureza e o hábito da prece como forma de atrair energias novas e regeneradoras.

Males Kármicos

Os males kármicos se caracterizam por doenças incuráveis (fatais ou não) tanto pela medicina alternativa, quanto por terapias alternativas ou por meios espirituais. Nestes casos o tratamento visa o alívio do paciente ou ampará-lo emocionalmente para que sua atitude mental não tome o rumo da revolta ou do desespero.

As doenças karmicas são males que escolhemos antes de encarnar como forma de resgatarmos erros passados. Típicos males kármicos são: Cegueira de nascença, mudez, Idiotia, Eplepsia, Sindrome de Down, Más-Formações do corpo físico, etc. Na maior parte são males de nascença, embora algumas doenças possam ter sido “programadas” para surgir em determinada época da encarnação.
Nestes casos os mentores não podem (e nem deveriam) curar o corpo, pois através do padecimento deste é que o espírito está resgatando suas faltas e aprendendo valiosas lições para sua evolução e crescimento.

Males Espirituais

São aqueles causados pela atuação dos espíritos (obsessores, vampirizadores, etc.) e que se refletem no corpo físico. Nestes casos os mentores cuidam do corpo físico enquanto o paciente é tratado também em sessões de desobsessão, descarrego, etc.
Ou seja os mentores com as terapias à seu alcance minimizam e atenuam os males causados ao corpo físico enquanto o paciente é tratado na origem espiritual do mal de que sofre.

Quando o paciente se vê livre da presença espiritual nociva, os mentores costumam ainda continuar com os tratamentos visando reparar os males que já haviam sido causados ao organismo, até que ele retorne ao seu equilíbrio.

A Sessão de Cura

 

A Preparação

Muito tempo antes dos portões da casa espiritual se abrirem ou dos médiuns chegarem, o ambiente destinado aos tratamentos já está sendo limpo e preparado.
Os procedimentos começam com o isolamento da casa que é cercada por equipes de vigilantes espirituais (os exus), que impedem a entrada de espíritos perturbadores e fazem a limpeza fluídica dos encarnados que chegam. Caso seja nessessário, podem provocar até mesmo um mal estar ou utra situação de forma a afastar as pessoas que venham a casa espiritual com má intenção ou envolta em fluidos que possam perturbar os trabalhos.

Logo após se procede a limpeza do ambiente interno da casa e em seguida há uma energização do ambiente. Em paralelo a isto, alguns espíritos trazem até o ambiente alguns fluidos extraídos da natureza, para serem utilizados posteriormente no tratamento dos pacientes.

Em seguida a isso vão chegando a casa os mentores com suas equipes de trabalho de forma a se reunirem e fazerem o planejamento dos trabalhos a serem executados.

Fora da casa espiritual, os médiuns que irão ser veículo dos mentores, devem estar se preparando física e mentalmente para os trabalhos, e já estão sendo magnetizados e preparados pelo plano espiritual de forma a terem maior sintonia com os mentores.

Quando os médiuns chegam à casa, continuam sendo preparados pelas equipes espirituais. E enquanto cuidam do ritual (incensos, cristais, velas, etc.) vão entrando em sintonia com o plano espiritual. A preparação termina com a prece de abertura, onde o pensamento dos encarnados e desencarnados se une numa súplica ao Divino Médico para que ele interceda por todos.

Após isso os mentores de cura se manifestam e dão sua mensagem indvidual para o início dos trabalhos.

A Mesa

A mesa da sessão de cura é composta por 3 ou 4 médiuns que devem se manter em concentração/oração durante todo o tempo em que estiverem compondo a mesa, e só devem romper a concentração após a partida de todos mentores que estiverem trabalhando.

A mesa funciona como um ponto focal de energias, é através da mesa que chegam as energias e ordens de mais alto e são distribuídas às equipes. Por ser um local onde existe alta concentração/oração é o ponto para onde convergem as energias mais puras e mais sublimes da sessão de cura. Eventualmente, podem se manifestar à mesa algum mentor de cura, ou algum dos médiuns pode ser utilizado em alguma psicografia (por isso mesmo é interessante manter lápis e papel á mesa).

Na mesa também fica a água a ser fluidificada, e alguns elementos a escolha do Dirigente Espiritual que se fazem necessários para aquela Gira específica. Também pode-se colocar o nome de algumas pessoas que receberão irradiação.

Os Médiuns

Os médiuns que não estiverem trabalhando com seus mentores, compondo a mesa ou atuando como cambones dos mentores devem manter o silêncio a concentração e a oração.

Devem utilizar esse momento para permitir que seus próprios mentores os preparem para futuramente trabalharem com eles. E ter também consciência de que toda a energia positiva que estiverem atraindo para os trabalhos de cura através de sua concentração/oração estará sendo amplamente utilizada pelos mentores e pelas equipes de cura para levar a caridade a todos os que estiverem sendo tratados.

O Encerramento

No encerramento, os mentores de cura dão suas mensagens finais e partem. Neste momento os médiuns que compõem a mesa também podem romper a concentração. Todos os médiuns tomam da àgua fluidificada que está na mesa. E caso o dirigente julgue conveniente, pode efetuar a leitura de alguma mensagem que porventura tenha sido psicografada.

No plano espiritual, o trabalho ainda continua, com distribuição de serviço entre as equipes espirituais. Somente após a saída de todos os médiuns e com o encerramento dos trabalhos de cura no plano espiritual é que a corrente dos vigilantes (exus) se desfaz, embora a casa continue sendo vigiada, apenas não de forma tão ostensiva.

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– Retirado da Apostila do Curso de Umbanda da Sociedade Espiritualista Mata Virgem

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Exu Mirim

Comemoração: 13 de Agosto

Diz Rubens Saraceni: “A função de Exu Mirim é a de fazer regredir todos os espíritos que atentam contra os princípios da vida e contra a paz e a harmonia entre os seres. A sua importância está em que, sem Exu Mirim nada pode ser feito na Criação, sem a sua concordância. Com Exu, dizia-se que “sem Exu, não se faz nada”. Já com Exu Mirim, “sem ele, nem fazer nada é possível”.

Os Exus Mirins são Seres Encantados de uma Dimensão à Esquerda da nossa. Eles não são humanos.

Na respectiva Dimensão, algum deles são seres infantis. Mas os que se manifestam nos Trabalhos Religiosos de Umbanda já trazem da sua Dimensão um nível de evolução diferenciado. Além disso, também são preparados para vir, até obterem a licença do Divino Criador e dos Sagrados Orixás que os amparam nesse trabalho junto à nossa humanidade.

Exu, Pombagira e Exu Mirim formam o triângulo de forças à Esquerda da Umbanda.

Exu Mirim e Pombagira Mirim NÃO são filhos de Exu e de Pombagira. São arquétipos adotados pela Umbanda para englobar numa só Linha de Trabalhos Espirituais todos os Seres Encantados das Dimensões da Vida à nossa Esquerda, pois estamos ligados mentalmente a eles por meio de cordões energéticos. Em decorrência desta ligação mental, ou nos mantemos em equilíbrio com eles, ou somos afetados de forma acentuada.

Exu Mirim é um dos Mistérios que a Umbanda buscou e incorporou, em sua fundamentação Divina. A Criação Divina é infinita em todos os sentidos, inclusive nas funções Divinas exercidas pelos seres. Deus não criou nada ou ninguém que não tivesse sua função na Criação. Nós, espíritos humanos, estamos ligados mentalmente a um Exu Mirim, à nossa esquerda, por um cordão energético invisível aos nossos olhos materiais, mas não à visão superior do espírito.

Certos desvios de personalidade tratados pelas ciências médicas, certas alterações de humor, certos comportamentos anti-sociais, certos fanatismos etc., têm a ver com desequilíbrios existentes com os seres na outra ponta das nossas ligações mentais, espirituais e conscienciais. O desequilíbrio com os Seres Encantados da Direita, englobados no arquétipo Erês (Crianças), gera uma série de transformações em nossa consciência e em nossos comportamentos. O desequilíbrio com os Seres Encantados da Esquerda, englobados no arquétipo Exu Mirim, gera uma alteração comportamental e consciencial de caráter, de humor e emocional tão intensa que a pessoa começa a regredir e fecha-se em si mesma.

Tendo Exu Mirim (à Esquerda) e os Erês (à Direita) em equilíbrio conosco, isto faz com que sejamos alegres, dispostos, de bom humor, falantes e sonhadores.

Ao contrário, estando em desequilíbrio com um deles ou com ambos, nos tornamos taciturnos, melancólicos, irritados, cabisbaixos, isolacionistas, sem iniciativas e sem criatividade; sentimo-nos velhos e sem ânimo para mais nada. Alguns negativismos afloram em nós: avareza, mesquinhez, egoísmo, irritabilidades à flor da pele, incapacidade de raciocinar coisas novas, intolerância com crianças etc.

Por um lado, tais ligações existem e não podem ser rompidas. Por outro, os Seres Encantados são portadores de poderes excepcionais que, doutrinados de forma correta, muito nos auxiliam. Então, a Umbanda optou por incorporá-los à Direita (os Erês) e à Esquerda (os Exus Mirins e as Pombagiras Mirins).

Exus Mirins não são espíritos de “meninos maus”, como pensam alguns; assim como as Pombagiras e os Exus não são espíritos de ex-prostitutas e ex-bandidos.

Há poucos escritos que nos ensinem sobre Exu Mirim ou que o fundamentem como Mistério Religioso. Isso deu margem a interpretações fantasiosas e até preconceituosas, levando muitos a acreditarem que os Exus Mirins seriam “espíritos de moleques de rua”, crianças mal-edu­cadas, encrenqueiras, “bocudas”, chulas etc. Esse desconhecimento acabou fazendo com que muitos dirigentes proibissem as manifestações de Exus Mirins.

Conforme esclarece Rubens Saraceni, quando a Umbanda iniciou-se no plano material, logo surgiu uma Linha Espiritual ocupada por espíritos infantis amáveis, bonzinhos, humil­des, respeitosos: a Linha das Crianças. Depois, começaram a se manifestar uns espíritos infantis briguentos, encren­quei­ros, mal-educados e intrometidos. Quando inquiridos, eles se apresentavam como “Exus” mirins, os “Exus infantis” da Umbanda, numa equivalência com um Erê da Esquerda existente no Candomblé. E Exu Mirim assumiu “o arquétipo de menino mau”, que lhe atribuíam. Ninguém questio­nava sobre tão controvertida Entidade, pois ele dizia que todo médium tem na sua Esquerda um Exu Mirim, além de um Exu e uma Pomba Gira.

A partir da crença inicial de que os Exus Mirins eram “meninos maus”, as incorporações dessas Entidades eram exageradas e fantasiosas, pois os médiuns acreditavam que tinha de ser assim. Os Dirigentes não tinham conhecimento sobre tais Entidades e nem meios de esclarecer e controlar seus médiuns, passando a proibir tais manifestações.  Na verdade, os Exus Mirins nada mais faziam do que extravasar os desvios íntimos daqueles médiuns, quando incorporavam.

Médiuns doutrinados e equilibrados incorporam Exus Mirins que realizam trabalhos de grande ajuda às pessoas. Quem precisa ser doutrinado é sempre o médium, e nunca as Entidades de Lei, que já vêm mais que preparadas para atuar entre nós…

Linha dos Exus Mirim

Pomba Gira

O mistério Pomba Gira é regido por uma divindade cósmica feminina que tanto gera quanto irradia o desejo, atuando como elemento mágico e agente cármico, nos limites estabelecidos pela Lei Maior, à disposição dos Orixás. Como elemento religioso, ela atua como esgotadora de carmas individuais e como ativadora ou estimuladora das pessoas. Enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorpora em suas médiuns aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar as dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem a solicitou. Elas tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

Ela é portadora de um poderoso mistério, ligado à sexualidade feminina. Mas, se Pomba Gira transpira desejo por todos os seus sentidos, não vibra o fator vitalidade, vigor, e os desejos não se concretizam. Por não vibrar esse fator,  polariza com Exu, que emana o fator vitalidade, o qual, se juntando com o fator desejo, cria as condições para que as coisas aconteçam. Exu e Pomba Gira são indispensáveis um para o outro. As Pomba Giras atuam como agentes esgotadores de negativismos ou criadores de vontades que atuam no emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do “alto”. São regidas pelo mistério “Trono Neutro”, que não é bom nem mau, e responde segundo é invocado. Através do seu fator vontade, elas tanto estimulam como desestimulam  os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.

Linha das Pomba Giras

Exus

Comemoração: 13 de Agosto

Os Exus, enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorporam em seus médiuns e dão consultas gratuitas, aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar suas dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem o solicitou. Os Exus que incorporam estão aprendendo a usar os instrumentos colocados à sua disposição e vão se aperfeiçoando e acelerando sua evolução. Eles tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

No  aspecto  geral,  Exu  rege  sobre  a  vitalidade  dos seres. Ele é portador de um poderoso mistério, ligado à sexualidade masculina.  Mas, se Exu transpira vigor por todos os seus sentidos, não vibra o fator estímulo, iniciativa, expressando apenas os desejos alheios, seja de seus médiuns, seja dos que o evocam ou oferendam. Por não vibrar esse fator, não toma iniciativas próprias e polariza com pomba-gira, que emana o fator desejo, o qual, se juntando com o fator vitalidade, estimula os seres a tomar suas próprias iniciativas. Exu e Pombo-gira são indispensáveis um para o outro.

Exu é o mais humano dos mistérios de Umbanda, porque reflete em si a natureza emotiva do seu médium, no qual ele se manifesta e incorpora.

Embora aparentemente seja punidor, na verdade ele atua como agente esgotador de negativismos ou criador de estímulos que ativam o emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do “alto”. É regido pelo mistério “Trono Neutro”, que não é bom nem mau, e responde segundo é invocado. Através do seu fator vitalizador, ele tanto vitaliza como desvitaliza os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.

Linha dos Exus

Erês

Comemoração: 27 de Setembro

Essa é uma linha fechada em seus mistérios, regida por Pai Oxumarê, orixá da renovação da vida nas dimensões naturais, o pai das cores e do arco-íris, amparada pela linha do amor. Nessa linha atuam espíritos infantis, mas que têm muito poder. São excelentes conselheiros, orientadores e curadores e não gostam de fazer desobsessões, nem de desmanchar demanda.

O arquétipo para essa linha, conforme Rubens Saraceni, não foi fornecido pelo lado material da vida, mas pelos seres “encantados da natureza” – crianças encantadas, portadoras naturais dos mistérios regidos pelos orixás. Esse arquétipo fundamentou-se na inocência, na franqueza, na alegria e na ingenuidade dos seres encantados infantis.

O Orixá das “Crianças” ou “Erês” é uma Guardião de um Ponto de Força do Reino Elementar e atua sobre toda a humanidade, sem distinção de credo religioso. Pai Oxalá, Mãe Iemanjá, Mamãe Oxum e outros fornecem espíritos na forma de crianças, para atuação na linha de força dos elementos: ar, fogo, água, terra etc. Essas “crianças” têm as características do elemento em que atuam, sendo caladas se são da terra, facilmente irritáveis se são do fogo, alegres e expansivas sob a influência do ar, carinhosas e melodiosas no falar, se são da linha de Oxum ou Iemanjá, e assim por diante.

Um ser elemental é puro e não tem os defeitos característicos dos humanos, mas possuem uma grande força ativa que pode ser colocada a serviço da humanidade, pois muitas dessas entidades são bastante antigas e com muito mais poder do que imaginamos. São conselheiros e curadores, daquilo que pode ser tratado com seu elemento ativo e trabalham com irradiações muito fortes e puras na sua origem. No decorrer das consultas, alertam os consulentes sobre seus erros e falhas humanas e, com seus elementos, vão trabalhando o atendido, modificando suas vibrações, equilibrando e alinhando seus chacras. Nas curas espirituais, fortalecem o emocional, limpam e descarregam, aliviam os subconscientes quanto aos problemas cotidianos dos médiuns e os descontraem, pois atuam na própria psique. Trabalham brincando e brincam trabalhando, com seus carrinhos, bonecas, apitos e outros brinquedos.

Muitas crianças (ibejis, beijada, erês ou cosminhos) ainda estão mais ligadas ao plano dos encantados da natureza do que ao plano natural humano, pois muitos nunca encarnaram ou o fizeram uma única vez. “Não seriam “crianças” humanas recém desencarnadas e que nada sabiam da magia que iriam realizar os prodígios que os “Erês” realizam em benefício dos freqüentadores das suas sessões de trabalhos ou com as forças da natureza quando oferendados…”
(Rubens Saraceni – Os Arquétipos da Umbanda – Madras Ed.)

Quando incorporadas em seus médiuns, preferem as consultas durante as quais vão trabalhando o consulente com seu elemento de ação, modificando e equilibrando sua vibração e regenerando os pontos de entrada de energia nos seus corpos materiais.

Linha dos Erês

Marinheiros

Comemoração: 08 de Dezembro

Ser marinheiro de Umbanda significa ser eterno amante do mar e de seus mistérios, significa auxiliar pessoas e espíritos necessitados com os recursos do mar, dos mistérios das águas. Os marinheiros são milhares de espíritos que em suas últimas encarnações viveram do mar, pelo mar e para o mar, dentro de embarcações. Alguns navegaram, outros submergiram nas águas profundas, outros foram arrastados pelas ondas para dentro dele e outros foram levados para outros lugares pelas correntes marítimas. Esses espíritos, quando encarnados, foram capitães do mar, comandantes de navios, soldados da marinha, bucaneiros, piratas, pescadores, navegantes e todos os eternos amantes do mar e dos seus mistérios.

Os marinheiros, no lado espiritual, vivem submersos no fundo do mar, a realidade aquática da vida, que é a região do povo d’água, os seres aquáticos elementais da água. Nessa dimensão aquática, a água os deixa firmes, ao contrário do que acontece quando incorporados. Na matéria, cambaleiam de forma ondulada, balanceando, ao liberar o poder de seu mistério por meio de ondas magnéticas no campo espiritual do médium e do templo. Seus magnetismos absorvem muito do álcool do corpo do médium e, para não paralisar nenhuma das funções de se médium e dar fluidez e volatilidade às suas vibrações de espíritos, expandindo seus campos magnéticos,  estabilizando e equilibrando a incorporação, utilizam a energia do rum ou da cachaça para executar as funções que lhes cabem.

Incorporados em seus médiuns, os marinheiros se movimentam e dançam como se estivessem se equilibrando sobre o tombadilho de um barco ou de um navio em alto mar, mas o que realmente acontece é que eles se  manifestam sob a irradiação de Mãe Iemanjá, cujo magnetismo faz com que eles tenham os movimentos das ondas do mar. Podem ser regidos também por outras mães d’água, como Nanã, Oxum e até mesmo Obá, formando uma linha de “povos da água”. Seus magnetismos aquáticos dão a impressão de que o solo está se movendo sob seus pés e por isso eles imitam os marujos nos tombadilhos dos navios.

Esses espíritos são extrovertidos, alegres e cordiais, colocando os consulentes à vontade. São magos nos mistérios aquáticos e trazem-nos a possibilidade de libertação dos nossos entraves. A forte vibração  da energia aquática dilui cargas trevosas, purifica pessoas e ambientes e atua no trabalho de cura. Mãe Iemanjá é a senhora do lado de cima da Grande Calunga, o mar, e Omolu é o senhor do lado de baixo da Pequena Calunga, a terra, e sustentador do eterno vai-e-vem das águas.

marinheiro

Boiadeiros

Comemoração: 28 de Outubro

Os boiadeiros são espíritos hiperativos, valorosos, descontraídos, diretos, mas de poucas palavras e sisudos, que atuam como refreadores do baixo astral. São aguerridos, demandadores e rigorosos com os espíritos trevosos. São os peões boiadeiros habilidosos, valentes e de muita força física. Chegam bradando ê, boi! Ou Jetuá! Seus campos de ação são os caminhos (Ogum) e o tempo ou as campinas (Oiá). O laço e o chicote são suas armas espirituais, mistérios usados como refreadores dos investidas das hostes sombrias de espíritos do baixo astral. Com seus laços, os boiadeiros criam verdadeiras espirais, laçando eguns e quiumbas paralisados em seus negativos e perturbadores dos encarnados.

Esses espíritos foram mamelucos, cafusos e mulatos, sofreram preconceitos como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Representam a própria miscigenação do povo brasileiro, a coragem, a liberdade, a determinação e o convívio harmonioso com os animais e com a natureza.

Seu arquétipo é “a figura do mítico peão sertanejo, do tocador de gado” … Usam seus conhecimentos ocultos, “ para auxiliarem as pessoas nos momentos mais difíceis de suas “ travessias” pela evolução na matéria. O arquétipo é forte, impositivo, vigoroso, valente e destemido …” São espíritos que em suas últimas encarnações, praticamente viveram sobre o lombo dos cavalos. “ Eram vaqueiros, domadores de cavalos, soldados de cavalaria etc.

“A linha dos Boiadeiros é sustentada em um dos seus mistérios por Ogum, e a alusão aos cavalos, ao tocar da boiada, ao laçar e trazer de volta o boi desgarrado do rebanho, o atolado na lama, o arrastado pelos temporais, o que se embrenhou nas matas e se perdeu, o que foi atravessar o rio e foi arrastado pela correnteza etc., tudo tem a ver com o trabalho realizado por esses destemidos espíritos…”:

    • Cavalos – filhos de fé.
    • Boi – espírito acomodado.
    • Boiada – grande grupo de espíritos desgarrados, reunidos por eles e reconduzidos lentamente às suas sendas evolutivas.
    • Laçar – recolher à força os espíritos rebelados.
    • Atolado – espíritos que afundaram nos lamaçais e regiões astrais pantanosas.
    • Açoitados pelos temporais – eguns caídos nos domínios de Yansã e do tempo.
    • Açoite ou chicote – instrumento mágico de Yansã, feito de crina ou de rabo de cavalo.
    • Laço – instrumento do tempo e tem a ver com as ondas espiraladas de Yansã.
    • Bois afogados em rios – espíritos caídos nas águas profundas das paixões humanas. …
    • Bois atolados em lamaçais – espíritos caídos nos domínios de Nanã Buruquê. …”
      (Rubens Saraceni – Os Arquétipos da Umbanda – Madras Ed.)

Essa é uma linha transitória criada por Ogum e por outros Orixás, para a evolução de muitos Exus. Muitos dos espíritos que hoje se manifestam como caboclos boiadeiros já trabalharam sob a irradiação do mistério Exu, que é mais um dos graus evolutivos da Umbanda, mas outros nunca foram Exus. Como Exus, trabalharam e conquistaram o grau de boiadeiros. Como boiadeiros, conduzem de volta às pastagens tranqüilas e seguras os “bois” desgarrados e desviados da Lei Maior, do processo evolutivo humano.Os boiadeiros são combativos, cortadores de magias negras e conhecedores de remédios, ungüentos, pastas de ervas, plantas, curas, mirongas, feitiços e magias. São excelentes para a limpeza e descarrego dos terreiros, afastando obsessores, estabilizando o ambiente e as energias, dando ordens, com seus brados, para os espíritos se retirarem, mantendo a disciplina no terreiro.

Essas entidades representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão: boiadeiros, laçadores, tropeiros, peões, vaqueiros, romeiros, tocadores de viola.

Linha dos Boiadeiros