Guia de Contas na Umbanda

Guias, Fio de Contas ou Colares

Quem nunca viu um crucifixo no pescoço de um Padre? Um índio com seu colar? Acredito que todos nós já vimos, né?
Desde de os tempos remotos, tais objetos são usados não só como adornos, mas também como símbolo sagrado, indicavam hierarquias ou até mesmo como objetos magísticos, perfeitos amuletos dentro de um clã ou de uma tribo.

Na nossa Umbanda querida as nossa guias são colares coloridos utilizados nos trabalhos, fazendo parte do fundamento de todo Umbandista. As guias são verdadeiros para-raios em defesa dos médiuns. Elas são imantadas pelos guias chefes ou pelos dirigentes da casa através das energias da natureza para servirem de escudos contra as energias negativas que possam se aproximar dos servidores da Umbanda na prática da caridade. Se por algum momento, alguma carga negativa se aproximar, essa carga se choca à guia de contas como um escudo de proteção para o médium. Não podemos esquecer que os fios são feitos de náilon e alguns com ferramentas em metal. Como estão encostados ao nosso corpo poderão também arrebentar por desgaste do material.

As guias, além de servirem de proteção, também têm outras funções como:

– Elo de ligação psíquica entre médium e espírito;
– Instrumento de auxílio nos tratamentos espirituais;

Confecção das Guias

As guias de proteção devem se confeccionadas com produtos naturais, que sejam excelentes condutores de energia. Dependendo de cada casa e de suas regras, podem ser feitas de sementes, madeira como o bambu, pedras, porcelana, conchas, cristais. Não devemos usar plástico ou tipo de material similar, pois estes não são filtros indicados para o trabalho espiritual.
Devem confeccionadas de acordo com as regras da casa espiritual ou a pedido de uma entidade específica. Mesmo a pedido, a guia só poderá ser confeccionada se autorizada pelos dirigentes ou pelos guias chefes. Como são colares imantados, precisam ser bentas pelo guia chefe ou pelos dirigentes para que possam ter a mesma tônica vibracional daquelas que todos os outros médiuns que se encontram na mesma roda utilizam.

Todo material utilizado pelos médiuns tem que estar na mesma vibração, na mesma harmonia como um todo. Assim, cada vez mais a corrente espiritual se fortalece. Todas as guias, para terem valor vibracional, devem ser imantadas e fundamentadas. O número de contas deve ser passado pelo Dirigente Espiritual (geralmente são 147 contas ou 151, variando de acordo com o fundamentos de sua Casa). As firmas utilizadas para fechamento das guias servem como espaço mágico para receberem e distribuírem de uma maneira contínua as energias e para formarem assim uma campo magnético fechado ao longo da corrente de contas, passando energia de uma a uma.

Lembrando que as Guias sempre devem ser feitas pelas mãos daquele que pretende usá-las. Isso é de extrema importância, pois serão suas energias transmitidas para ela durante a sua confecção. Guias compradas prontas, devem ser estouradas e refeitas com um novo fio. Em muitas casas os Filhos recebem de presente as guias prontas, não digo que estão errados mas a Guia é um símbolo sagrado que deve ser conquistado pelo médium iniciante e não ganhar do pai ou mãe de santo de presente.

Limpeza das Guias

Deverão ser colocadas em uma bacia com água e cobertas com ervas específicas. Normalmente, utilizamos o boldo, no que chamamos de tapete de Oxalá. Essa limpeza também poderá ser feita em mar aberto, nas cachoeiras ou com água da chuva.

Os Tipos de Guia

Existem alguns fundamentos para a confecção de cada tipo de guia:

– GUIA DE PROTEÇÃO: Todos os colares de contas são feitos para proteção. Quando um médium novo em desenvolvimento começa a vestir o branco e a participar de uma roda de desenvolvimento, é pedido a ele a primeira guia da casa. Essa, normalmente é a de Oxalá, para todos nós Umbandistas, o Pai Maior; aquele que retém em seu poder a força de todas as energias da natureza.
Essa Guia é feita com miçangas (pequenas) na cor Branca, sem firma, e com fechamento de 7 nós no final.

– GUIA DO ORIXÁ (força da natureza): Em nossa Casa essas Guias são conquistadas de acordo com o esforço do Médium ao longo dos trabalhos espirituais, e sua obrigações. A primeira Guia a se fazer é de Oxalá, feita pelo próprio médium em porcelana branca e recebida em seu Batizado. Os demais Orixás vem na sequência (variando de cada casa) conforme seu merecimento e conquistas.

– GUIA DAS ENTIDADES: São aquelas que seguem como padrão o pedido de uma energia superior, uma entidade de luz. Elas só poderão ser confeccionadas com autorização da casa e ou dos dirigentes. Após a autorização a entidade que lhe pediu a Guia lhe mostrará como essa deve ser feita, trazendo assim mais firmeza para o médium com o qual trabalha.

– BRAJÁ: Feito de fios e búzios, símbolo de conhecimento. Na Umbanda, quando o médium atinge a maturidade espiritual e completou o ciclo (obrigações) de todos os Orixás é dado a ele o direito de usar O Brajá, com o significado de entrada no mundo do conhecimento. A partir daí o médium está pronto para seguir seu caminho espiritual, podem formar seu próprio terreiro ou continuar auxiliando na casa que já atua.

Devemos ter o cuidado de fazer nossas guias exatamente como são pedidas. Elas têm fundamentos e serão utilizadas para fortalecimento dos médiuns e segurança nas rodas das quais participarão.Não podem ser utilizadas em nossa Umbanda apenas como adornos ou enfeites. Nossa religião prima pela humildade e não utiliza vaidade e nem ostentação em seus trabalhos espirituais de caridade. A forma como a guia é solicitada pela entidade pode dizer muito sobre a linha de trabalho dela. Assim como o ponto riscado, as guias podem indicar muitos fundamentos e falar por si só.

Por exemplo:
a) Foi autorizado ao médium confeccionar uma guia verde, com 7 flechas intercaladas e com fechamento de firma vermelho. O que vocês acham que essa guia está nos dizendo? Sabem ?

Vou explicar: Verde (Oxossi, caboclos, mata); 7 flechas (pode indicar o nome do Caboclo Sete flechas); Firma vermelha (que ele também trabalha na linha de Ogum). Bacana, né? Viu como agora começamos a entender os fundamentos das guias?

Cores de Guias

Branca – Oxalá
Preta e Branca – Almas
Vermelha – Ogum
Verde – Oxossi
Cristal Transparente – Iemanjá
Amarela – Iansã
Azul Claro/Turquesa – Oxum
Lilás – Nanã
Preta e vermelha – Guardiões
Azul e Rosa – Ibejada
Marrom – Xangô

Como vimos até agora, as guias usadas servem como elo de ligação entre as forças da natureza e o campo energético do médium, bem como filtro de energias entre o ambiente e o médium. Ela reforça a intensidade da conexão do médium com o mundo espiritual do médium, melhorando a comunicação, a intuição e a transmissão energética nos trabalhos caritativos dos guias e mentores de uma roda espiritual de caridade.

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Alguns fatos curiosos que podemos citar são:

a) Guias atravessadas: normalmente são pedidas pelo dirigente ou guia chefe da casa quando há necessidade de uma linha vibratória diferente da linha diária do médium. Exemplo: O médium tem uma energia extremamente feminina em sua coroa e sua entidade carrega uma energia extremamente masculina – a guia é utilizada atravessada para uma questão de equilíbrio vibracional. Por exemplo: suponhamos que o médium possua uma coroa fortemente energizada pela vibração de Oxum (energia associada à feminilidade) e suas entidades usam energia fortemente concentrada em Omulu ou Ogum (que são vibrações vistas como masculinizadas). Atravessa-se a guia para a busca de equilíbrio vibracional. Ainda: Quando o médium tem muito forte em sua coroa a energia das matas, representativa de Oxossi e sua entidade trabalha muito voltada para as energias de Oxum. A guia também é atravessada para equilíbrio vibracional. (ATENÇÃO: nada está ligado à sexualidade individual. Estamos falando em força vibracional).

b) Quando observamos algum médium em seu trabalho espiritual, utilizando uma guia enrolada no pulso, ele está simplesmente utilizando a guia como um condutor energético mais forte para limpeza do campo astral do consulente. Raramente esse tipo de recurso é utilizado por uma entidade. Salvo casos que requerem uma atuação mais rápida.

c) Quando vamos ao banheiro devemos tirar as guias. Além de ser um sinal de respeito, o banheiro é um ambiente contraposto à pureza na qual devemos manter nossas guias de proteção. Essas impurezas podem afetar a linha vibracional que temos que preservar, afinal de contas, o ambiente terreno está repleto de impurezas tanto materiais quanto fluídicas, que podem se ligar ao filtro de proteção nesses ambientes.

d) Quando estamos perto do fogão, devemos guardar nossas guias. Por vezes colocamos nossa proteção para dentro de nossas blusas, mais encostadas ao coração, não é mesmo? Fazemos isso para protegermos nossas guias do fogo pois, além de serem confeccionadas na maioria das vezes com náilon, que derrete, nossa guias são filtros energéticos que têm que ser preservados de outros tipos de energia que não sejam as de trabalho.

Nossas guias são pessoais e intransferíveis. Devendo ser confeccionadas, manipuladas e utilizadas somente pelo médium. Deve-se observar que cada individuo e cada ambiente possui um campo magnético e uma tônica vibracional própria e individual.

ATENÇÃO:
Lembrem-se: nossas guias são nossas ferramentas na caridade espiritual. Devemos cuidar e respeitá-las. Elas são a nossa força e nossa fé. Elas são nosso escudo de amor e paz. Cada guia que usamos revela o que queremos, para que estamos aqui e o que pretendemos ao usá-la. Então irmãos, vamos cuidar sempre, de uma a uma, com muito amor, paciência e humildade.

Texto: Tereza – C.E.E.N.C. / Caio C.E.D.O.

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