O Congá

O que é um Congá

Além de ser uma “mesa litúrgica”, local consagrado à celebração do culto, o congá de terreiro também é o norte religioso de um templo. É para esta direção que todos se voltam para baterem suas cabeças, abrirem suas giras, incorporarem suas entidades e para realizarem outros atos litúrgicos.

Congá de Terreiro

É a estrutura energética de sustentação do templo, ou seja, é estrutura coletiva, estrutura que serve ao terreiro e a todos que compõem a sua egrégora. Corrente mediúnica, dirigente espiritual, Orixás, entidades e assistência são as partes formadoras desta egrégora. Por mais que pensemos na assistência como necessitados em busca de auxílio espiritual, estas pessoas são tão assíduas nos trabalhos mediúnicos quanto nós, os médiuns de corrente. Muitas vezes comparecem ao terreiro na mesma frequência que os filhos de santo, participam da abertura, entram no local de trabalho, passam por consulta ou passe e, em muitas casas, acompanham o fechamento.

Portanto, o congá é a estrutura energética de sustentação dos agentes envolvidos na composição ritualística de um terreiro de Umbanda. Não qualquer estrutura de sustentação, o congá, em um terreiro de Umbanda, é a principal. Está interligado a todos os demais pontos energéticos da casa. Congá, tronqueira, chão do terreiro, porteira, assentamentos e firmezas, seja da área de assistência (imagens, quadros, balaios) ou não. Formam entre si um complexo energético semelhante aos chacras de nosso corpo. Todos estes pontos de captação e emissão de energia devem estar em harmonia para que o axé do terreiro (seu poder de realização) tenha capacidade de fluir.

O fluxo de energias surge do alto através da irradiação divina, atinge o congá e o congá distribui este fluído energético (axé) ao restante do terreiro. Sem congá não há circulação (captação e emissão) de energia.

Formatos

O congá pode ter muitos formatos. Pode ser uma mesa, podem ser prateleiras individuais para cada força entronada, pode ser uma prateleira para todos os poderes, podem ser prateleiras umas acima das outras, podem ser mesas mais prateleiras, enfim, podem ser de diversas formas. Assim, podem formar triângulos, colunas, escadas e outras figuras geométricas que variam de acordo com o histórico e as escolas umbandistas a qual o dirigente já fez e ainda faz parte.

Aliado a este fato, temos também a relevância de sua atuação junto à assistência como fonte de referência imagética (de imagens e seus significados). Vejam, ao ver Jesus Cristo com os braços abertos saberão que aquele templo prega as máximas cristãs, ao encontrar santos católicos terão ciência imediata da influência católica junto à ética ali presente. Não estou dizendo que é bom ou ruim. Isto não cabe julgar aqui. Estamos diante de um estudo direcionado e analisando o que acontece empiricamente. Estou expondo um fato que repercute no fluxo de imagens mentais e conceitos formadores de opinião da assistência para com o terreiro em seu primeiro contato.

Devemos estar alinhados com aquilo que nosso terreiro reflete para que sempre saibamos quais são os nossos valores espirituais e, por mais diferentes que sejamos diante de nossos irmãos umbandistas ou de outras religiões, honraremos estes valores para que nos conduza corretamente na jornada espiritual de uma vida.

Congá familiar

Geralmente substituímos o termo congá familiar para altar particular ou altar caseiro a fim de gerar a ideia de um local simples de culto dentro de casa. Chamar uma mesa de cadeira e uma cadeira de mesa não nos traz a possibilidade de sentarmos na mesa e comermos na cadeira. Os nomes não mudam as coisas. Chamar uma maçã de abacaxi não aumentará a acidez da maçã. Contudo, o nome não altera o estado da coisa, mas altera o nosso posicionamento em relação a esta mesma coisa.

O congá familiar é uma estrutura de sustentação energética familiar, como o próprio nome diz. O congá de terreiro é estrutura de sustentação energética de terreiro, ou seja, de corrente mediúnica e de trabalhos junto à uma corrente mediúnica.

Dizemos familiar porque nenhuma estrutura sagrada dentro de nossos lares é exclusiva de alguém. Um núcleo familiar, mesmo com todos os problemas ideológicos existentes, é uma forte união de pessoas. O mentor de um médium é um ser de alta luz e acompanha a jornada espiritual desta pessoa. Para que isto ocorra, a família é componente importante. Não estou me referindo a laços de sangue e sim, de laços familiares. Aqui estão incluídos os filhos que moram no exterior (não há barreiras de espaço para os espíritos), os filhos de outros relacionamentos, os filhos adotivos, os filhos consanguíneos, as madrastas, os padrastos. A lista é variável de acordo com a unidade familiar. Esta estrutura de sustentação energética, mesmo que edificada e mantida por um único membro, atua sobre todos. O inverso também acontece. Vejamos.

Os desequilíbrios de um lar também desequilibram a energia dos congás familiares. Isto é fato que encontramos no dia-a-dia. Do mesmo modo, o desequilíbrio da corrente mediúnica afeta o equilíbrio do congá. Se assim não ocorresse, não precisaríamos realizar a manutenção e sustenta-lo constantemente. É fato corriqueiro em nossos terreiros recebermos mensagens de nossos mentores espirituais para acendermos velas, colocarmos flores, folhas e outros elementos ou procedimentos para a solução de algum problema como, por exemplo, acalmar os ânimos e apagar fogueiras repentinas advindas de energias contrárias ao bom andamento de uma casa de luz. Médiuns, dirigentes ou não, seus congás (familiar ou de terreiro) merece atenção constante por meio da comunicação mediúnica que se dá por diversas formas, a intuição, a visão, a audição, a incorporação, a irradiação dentre outros processos já conhecidos por nós.

Diante do exposto, é melhor ter ou não ter?

Esta resposta merece sua análise pessoal e subjetiva. Olhar para dentro de si e verificar se existe responsabilidade mediúnica e compromisso com a obra espiritual de Deus é o principal argumento para responder esta pergunta, já que o congá familiar não lhe fará mais forte para incorporar espíritos. Não está no congá familiar a solução definitiva para os males do mundo. Tudo o que uma pessoa precisa para alcançar a plenitude de sua manifestação espiritual já nasce com esta própria pessoa. Por esta razão, nascemos em um núcleo familiar. Temos estas pessoas como amparadoras de nossa caminhada e as assemelhamos à Deus e suas divindades, pois denominamos estes de Pai Criador, pais e mães Orixás. Damos tamanho valor a estas figuras que desejamos que Deus e suas criações sejam seu reflexo. Isto molda nosso caráter e define nossa postura diante do sagrado.

Devo ou não edificar um congá em minha casa? Só você poderá decidir.

Prós: todos os benefícios que um congá de terreiro pode oferecer. Estrutura energética de sustento, amparo, manutenção e harmonização espiritual.

Contras: Manutenção e atenção diária, custo de material e vigília de conduta moral e ética para com o sagrado a fim de manter a estabilidade de energia.

Pese seus prós e seus contras dentro de seu cotidiano e decida por si só. Ao médium praticante é extremamente necessário a autorização do Guia Chefe e também do dirigente espiritual (são duas pessoas diferentes) do templo que frequenta.

Conga na umbanda

Texto: Adérito Simões
Foto: Gabriel Castro

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